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PRIVATIZAR O AUTÓDROMO DE INTERLAGOS É UM BOM NEGÓCIO?

O autódromo de Interlagos com cerca de 1 milhão de metros quadrados, rebatizado em 1985 para José Carlos Pace em homenagem póstuma ao piloto, foi concebido em 1938 pela empresa Aesa, mas sua gloriosa inauguração só ocorreu em 12 de maio de 1940 e sua pista original tinha 7.960 metros, porém por solicitações de adequação da FIA, hoje ela tem 4.309 metros de extensão.

Antes privado, em 1950 a prefeitura adquiriu o complexo por 23 cruzeiros o metro quadrado, valor bem a baixo do avaliado na época de 300 cruzeiros o metro quadrado e na atualidade, segundo a SPTuris (Empresa Municipal que administra o autódromo) seu custo de manutenção anual é de aproximadamente R$ 7 milhões / ano.

As pretensões de privatização do autódromo José Carlos Pace em interlagos, pelo prefeito eleito João Doria (PSDB) é de aplicar o modelo de gestão do autódromo Yas Marina em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Segundo o projeto em desenvolvimento está previsto a construção de prédios de luxo e hotel, tanto quanto um museu do automobilismo, que poderá ser batizado de Ayrton Senna, a preservação do autódromo e do kartódromo.

Sua referência é a de rentabilizar o espaço como Abu Dhabi que tem hoje um dos mais modernos autódromos do mundo, abriga algumas das competições mais importantes e tem utilização regular diária, onde seu complexo funciona 365 dias por ano, possuindo sete hotéis luxuosos que foram projetados por arquitetos mundialmente famosos, apartamentos de alto padrão, restaurantes, espaço para eventos e shopping, entre outras coisas. Conta também com campo de golfe, um famoso parque aquático no meio do deserto e o famoso Ferrari World, um parque temático da scuderia italiana.

Entre os serviços oferecidos no circuito de Yas Marina, é possível alugar e dirigir um Porsche ou um Aston Martin GT4 e chegar a mais de 200 km/h na pista, ou mesmo dar voltas no autódromo com pilotos profissionais no volante.

Com capacidade para 41 mil espectadores, o Yas Marina não é apenas uma pista de automobilismo, mas um complexo esportivo e turístico de Abu Dhabi, que atrai muita gente não só no período de corrida, mas em boa parte do ano. E é nisso que o Prefeito se apoia, claro que nas devidas proporções.

O prefeito afirmou ainda que apresentará a proposta aos organizadores da Fórmula 1 no Brasil e que Bernie Ecclestone, será convidado a participar do negócio sozinha ou por meio de um consórcio. 

Me pergunto, estando a tantos anos envolvido no automobilismo, financeiramente pode proporcionar um bom negócio, mas será benéfico ao automobilismo nacional? Fica o questionamento.