Olhando para as estatísticas, você pode se perguntar por que Dan Gurney foi tão bem reverenciado nos círculos da F1. Afinal, ele “apenas” ganhou quatro grandes prêmios, e nunca terminou mais do que em quarto lugar no campeonato mundial.
Mas Dan Gurney é um desses pilotos para quem as estatísticas sozinhas contam apenas uma fração da história, porque ele era muito mais do que apenas um piloto de F1 muito rápido. Ele foi versátil, inovador, incrivelmente popular (inclusive por seus feitos e destaque houve até a intenção de levá-lo a candidatar-se à presidência!). E foi pioneiro em muitas inovações automobilísticas que ainda estão sendo usadas hoje.
Ele era uma pessoa de destaque nas corridas, digno de mencionar seu nome no mesmo tom de outras lendas de sua época, como Jack Brabham, Mario Andretti e Bruce McLaren.
As primeiras grandes façanhas de Gurney nas corridas de automóveis deram origem a Ferraris em eventos de carros esportivos no final da década de 1950. Ser rápido em uma Ferrari era incrível e Dan havia feito o suficiente para impressionar a Enzo Ferrari, que o colocou em um de seus carros por quatro corridas durante a temporada de 1959.
Ele imediatamente impressionou o Comendador, terminando em segundo lugar na Alemanha (apenas em seu segundo Grande Prêmio) e em terceiro em Portugal algumas semanas depois. Mais impressionante, ele se mostrou tão rápido (se não mais rápido) como os outros pilotos da época “Tony Brooks e Phil Hill”. Apesar do sucesso com a Scuderia Ferrari, Gurney decidiu mudar para BRM para 1960, mas os carros não eram competitivos e pouco confiáveis. Embora ele tenha demonstrado regularmente sua velocidade, não houve resultados para mostrar.
Gurney se juntou à fábrica da Porsche F1 em 1961, onde o ajudou a conquistar um quarto lugar no campeonato de pilotos.
Ele finalmente conseguiu sua primeira vitória no ano seguinte, ganhando na França para dar a Porsche a vitória da F1 como fabricante. Apesar dos fortes desempenhos, no entanto, a Porsche retirou-se da F1 no final da temporada, deixando Gurney livre para buscar outra equipe.
Jack Brabham gostou do que ele havia visto do americano. Além de ser um piloto rápido, Gurney também tinha a mente de um engenheiro, e então ele foi inscrito para competir pela Brabham em 1963. Dan foi imediatamente mais rápido do que seu colega de equipe e chefe, chegando ao primeiro pódio da equipe em Spa e sequentemente com mais dois podiuns, no GP holandês e na África do Sul.
Em 1964, Gurney continuou a conquistar bons resultados, marcando a primeira vitória da equipe no GP da França e depois adicionando outro podium no final da temporada no México. Em 1965, não houve vitórias, mas Gurney conquistou cinco pódios consecutivos, marcou 25 pontos, terminou em quarto lugar no campeonato e continuou a superar os companheiros de equipe, Denny Hulme e o próprio Brabham, que estava começando a considerar a aposentadoria.
Embora Gurney tenha gostado de correr na Europa, ele não ignorou completamente o cenário de corridas nos Estados Unidos. No início da década de 1960, ele era praticamente imbatível no circuito Riverside na Califórnia, ganhando o evento Nascar lá cinco vezes, incluindo uma série de quatro seguidas de 1963-66.
Então em 1967, novamente em Riverside, ele superou uma punção em um IndyCar que o fez tomar duas voltas, mas que recuperou e conquistou a vitória na última volta, ao se tornar o primeiro piloto a vencer na Fórmula 1, IndyCar e Nascar.
Somando ainda seu sucesso no automobilismo – ele ganhou Le Mans, o Nurburgring 1000km, o Sebring 12 Horas, Daytona e algumas corridas Can-Am.
Se Gurney tivesse ficado com Brabham, teria tido uma boa chance de ganhar alguns campeonatos, mas seu fascínio de criar uma equipe americana para competir e vencer na F1 era muito forte. Ele já tinha uma equipe chamada “All-American Racers”, então, para 1966, começou a levar o time à F1 com o Eagle Mk.I – indiscutivelmente um dos carros de F1 mais bonitos de todos os tempos.
Infelizmente, o dinheiro para o programa tornou-se escasso e, a partir daí, até a última participação em corrida no ano de 1970, ele só apareceu esporadicamente na F1, preferindo tentar ganhar o Indy 500 (uma das poucas coisas que ele não conseguiu alcançar – como piloto).
Um fato a se destacar e que também competiu em 1967 na França das 24 Horas de Le Mans, e no decorrer da corrida, quando estava emparelhado em um Ford GT40 Mk.IV com rival Indy 500 A.J. Foyt, a dupla não tinha chance naquele momento de levar o carro até o fim, mas acabaram assumindo a liderança na segunda hora e ficaram lá até o final, ganhando por quatro voltas de diferença. No pódio, Gurney muito feliz decidiu pulverizar a garrafa de champanhe em todos os lugares, iniciando uma tradição que se tornou sinônimo de automobilismo.
Uma semana depois, o triunfo de Le Mans e Gurney estavam em Spa competindo e ganhando o Grande Prêmio da Bélgica, provando que os pilotos americanos e a tecnologia americana poderiam realmente competir na Europa.
Pulverizar champanhe no pódio não foi a única tendência que Dan Gurney iniciou. No Grande Prêmio de Alemanha de 1968, ele se tornou o primeiro piloto de F1 a usar um capacete completo, totalmente fechado, um equipamento que hoje em dia seria impensável e proibido correr sem.
Além disso houve suas inovações como engenheiro. Enquanto sua equipe estava testando seu IndyCar em 1971, ele criou a idéia de colocar uma pequena aba na borda da asa traseira. Isso não só ajudou a produzir uma carga mais downforce, como reduziu o arrasto. Foi apelidado de “Gurney flap”, sendo usado como acessório aerodinâmico até hoje em veículos de competição.
Ele fez marcas no automobilismo que hoje só podemos sonhar!
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